Saúde Mental não teve mãos a medir com pico de procura

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Nos primeiros dias após o temporal do passado dia 20 de Fevereiro, os profissionais do Departamento de Saúde Mental do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) não tiveram mãos a medir para responder a todas as solicitações.
Segundo disse ao DIÁRIO Luís Filipe Fernandes, médico psiquiatra e director do departamento, um pouco por toda a ilha, mas sobretudo nas zonas mais afectadas pelo mau tempo, estima-se que tenham sido assistidas mais de meio milhar de pessoas de todas as idades.

Já no Hospital Dr. Nélio Mendonça e no necrotério provisório perto do Aeroporto, o Departamento de Saúde Mental prestou apoio a mais de três centenas de pessoas, “famílias inteiras por vezes que iam ao local identificar cadáveres ou participar o desaparecimento de alguém”.

Afectos a todo este trabalho estiveram todos os profissionais do Departamento de Saúde Mental, nas suas diversas valências, mas a verdade é que “depois dos primeiros três ou quatro dias em que a procura foi maior, nestes últimos dias tem estabilizado dentro da procura normal destes serviços, mantendo-se um seguimento constante dos casos assinalados e total disponibilidade para quem eventualmente venha a precisar de ajuda nesta área”.

E qualquer um pode vir ainda a precisar de ajuda, mesmo aquelas pessoas que têm trabalhado nas operações de busca e salvamento, caso dos serviços e entidades ligados à Protecção Civil e às Forças de Segurança, aos quais, o departamento já se mostrou disponível para apoiar. “Nesta altura há ainda muitas pessoas a reagir a quente”, disse o médico psiquiatra. “Quando a poeira assentar, ou a procura mantém-se ou pode aumentar”, admite.

Segundo explica, “qualquer pessoa pode desenvolver ‘queixas’ referentes a esta situação. Penso que nesta altura temos que estar despertos para eventuais manifestações de doença e tratar precocemente, mas ao mesmo tempo também dar tempo e espaço às ‘manifestações de tristeza saudável’ que possam acontecer.

Se essa necessidade surgir, Luís Filipe Fernandes aconselha a que as pessoas se dirijam “preferencialmente aos centros de saúde que têm indicação para um atendimento prioritário para estes casos”.

Acima de tudo, as pessoas devem estar atentas a sinais como pensamentos ou pesadelos relacionados com o acontecimento traumático, problemas com o sono, alterações do apetite, excesso de ansiedade, períodos prolongados de tristeza, depressão ou perda de energia, choro espontâneo, etc. Sintomas como estes poderão ser sinal de stress pós-traumático.

Ana Luísa Correia
dn2010

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