Mudança do dia do concelho divide povo de Machico

A população do município de Machico está dividida quanto à possibilidade da autarquia mudar o Dia do Concelho de 9 de Outubro (Festa do Senhor dos Milagres) para 8 de Maio (atribuição da Capitania de Machico a Tristão Vaz Teixeira, em 1440).

A noticia correu veloz por toda a zona comercial da cidade, ouvindo-se nos recantos das artérias muitas opiniões discordantes. Outros, no entanto, aplaudiram a iniciativa e, ainda, numa menor escala, havia residentes que encolheram os ombros na hora de emitirem uma opinião. “Não falo sobre isso. Eles que decidam. São pagos para isso”, dizia uma cidadã que se escusou a revelar a identidade.

O presidente da Câmara Municipal, Emanuel Gomes, já ganhou a primeira frente de ‘batalha’. A população local logo cedo tomou conhecimento da pretensão da edilidade em avançar com a alteração. Ontem, pela manhã, os machiquenses não falavam noutro assunto.

Nas ruas, nos cafés e à saída das instituições bancárias, cidadãos anónimos discutiam o assunto. Até na praça onde a estátua de Tristão Vaz Teixeira está erguida a proposta de Emanuel Gomes não passava despercebida. Ali, a unanimidade esteve longe de ser consensual, existindo inclusive quem dissesse que “a opinião pouco importa. Isso já está decidido”, atira do meio da discussão.

Sentados nos bancos de madeira, aos pares ou em trio, os homens de mais idade, quase todos aposentados, conheciam a intenção do autarca social-democrata e que o DIÁRIO veiculou na edição de ontem.

Manuel Freire foi dos que mais agastado se mostrava. “É como se de repente alguém que me viesse dizer que o meu aniversário iria ser alterado. Eu que já faço anos há 60 e tal anos”, dispara, ao mesmo tempo que salta do banco como se de um jovem tratasse.

Perto de um centro comercial da ‘baixa’ machiquense, Claudia Correia discutia com um amigo momentos antes de ser interpelada: “Deveria ser a 2 de Julho e não a data que o presidente está a pensar dar. Desde o momento que é atribuído à descoberta de Machico faria todo o sentido ser nessa ocasião”, responde segura à pergunta lançada. Aliás, aponta em direcção ao cais da localidade a existência de uma placa onde diz que foi a 2 de Julho que Tristão Vaz Teixeira e os seus marinheiros desembarcaram.

Como se diz acima, o primeiro objectivo de Emanuel Gomes está ganho. O autarca eleito pelo partido que vai formalizar a proposta disse que quer discussão pública antes de tomar uma decisão. Pois vai ter. Resta saber qual o sentido desse debate público e se o mesmo terá qualquer influência na decisão do partido da maioria, autor da proposta em preparação para aprovação no executivo municipal e posterior ratificação na Assembleia Municipal de Machico.

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