Machico começa Fevereiro com mau tempo

portochu

“Queria saber quem é que vai se responsabilizar por isto”, questionou desolado Jacinto Jesus, apontado para os muitos estragos provocados pela enxurrada que não poupou o que encontrou pela frente no sítio do Moinho da Serra, em Machico. Nesta zona mais interior da freguesia, várias viaturas que ‘pernoitavam’ estacionadas junto à estrada foram literalmente arrastadas pela forte torrente de lama, pedras, troncos e demais entulho, que durante a madrugada galgou o ribeiro entupido e sem capacidade de vazão para caudal tão intenso, que acabou por ter como principal escapatória a estrada regional.

“A câmara de descarga é muito estreita” critica este morador, que entretanto adverte os responsáveis que “enquanto aquele ribeiro não for arranjado isto vai acontecer sempre”. Diz mesmo que este ‘saltar’ do ribeiro para a estrada já é recorrente e “eles (responsáveis) sabem disto”, sustenta.

Consequência da chuva copiosa que logo às primeiras horas da madrugada de ontem já fazia temer graves danos, a via pública acabou por transformar-se numa autêntica ribeira paralela à ribeira de Machico.

A estrada foi literalmente ‘engolida’ pela enxurrada que além de a tornar intransitável, deixou marcas de destruição ao longo de algumas centenas de metros. Nas imediações da zona crítica foram os carros ali estacionados as principais vítimas. Andaram desgovernados de um lado para o outro da estrada, arrastados pela força da corrente. Não só os automóveis ligeiros, mas também algumas carrinhas, uma das quais foi ‘atirada’ contra a parede, ficando ‘encavalgada’ num canto da estrada. A jusante da estrada, várias foram as propriedades agrícolas completamente inundadas e devastadas pelo muito entulho, que também deixou marcas nalgumas residências.

Estrada transformada em ribeira

Um pouco mais a Norte, na zona dos Maroços, novo cenário do forte impacto provocado pelas enxurradas que inundavam a via pública. Aqui também alguns carros ficaram entalados pelos muitos destroços arrastados pelas águas, tendo algumas habitações a jusante sentido também os efeitos invasores das lamas.

A estrada dos Maroços mais se parecia com uma ribeira, tal era a torrente de lama e pedras que durante toda a manhã continuava a inundar toda aquela artéria.

Nas imediações do entroncamento de acesso à via expresso, grande parte do pavimento estava coberto por entulho que tornou intransitável o acesso à Portela.

Abaixo o cenário não era muito mais animador, tal a intensidade da água enlameada que continua a correr veloz pela estrada abaixo. Diante desta ‘ribeira’ fora do seu curso normal, José Rodrigues assistia impotente ao ‘espectáculo’. “Já não é a primeira vez. Sempre que chove acontece isto”, denunciou o proprietário do bar Calçadinha, depois de várias horas a limpar a lama que havia conspurcado a entrada do seu estabelecimento. “Desde que esta estrada foi aberta, quando chove com maior intensidade é sempre assim”, disse revoltado. E acrescentou: “fizeram a estrada e os ribeiros que eram para continuar até a ribeira, mandaram foi para a estrada”, acusou, visivelmente agastado com o reeditar de um cenário já antes visto. De resto também alega que os avisos a quem de direito não têm faltado, mas, pelos vistos, ainda sem qualquer efeito prático.

Orlando Drumond
dn2010

Foto de derrocada no Porto da Cruz de : Júlio Carvalho

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