Dessassoramento dos portos vai custar 4,1 milhões

Os trabalhos de desassoreamento do Porto do Funchal, que decorrerem desde Fevereiro, vão custar pelo menos 4,1 milhões de euros, uma verba astronómica e que obrigou o Governo Regional a inscrever no Orçamento Rectificativo uma verba de 5 milhões de euros a favor da Administração de Portos da Região Autónoma da Madeira (APRAM).
Tal como havíamos noticiado, em Dezembro último a APRAM fez um ajuste directo a favor da Somague, Engenharia SA para “dragagem de manutenção de fundos do Porto do Funchal, na zona situada entre a Marina do Funchal, o cais Norte e a rampa Roll-on/roll-off”.
Na altura a empresa pública responsável pelos portos da Região contava gastar 322.394 euros, o valor do contrato feito a 14 de Dezembro e que obrigava à execução dos trabalhos solicitados em 45 dias.
O temporal de Fevereiro veio alterar tudo. Três dias após o temporal, a APRAM solicitou à Somague o reforço dos meios afectos à operação, o que obrigou à vinda de dragas e batelões de Setúbal e Lisboa.
Neste novo ajuste directo, feito a 23 de Fevereiro, mas publicado apenas a 19 de Maio, a APRAM compromete-se a pagar 3,8 milhões de euros por um trabalho de dragagem de manutenção de fundos do Porto do Funchal, bem como junto ao cais do Paul do Mar, Machico, Terminal do Porto Novo e Terminal dos Socorridos, tendo acordado como prazo de execução 120 dias.
O DIÁRIO apurou que os trabalhos de desassoreamento do Porto do Funchal já retiraram do fundo do mar, junto à foz da ribeira São João, em São Lázaro, o equivalente a cinco mil camiões de terra e entulho.
Mais de 80 mil m3 de terra
De acordo com os dados recolhidos, nos últimos quatro meses os batelões e dragas que estão a operar à saída da Marina do Funchal terão retirado cerca de 80 mil m3 de terra, pedras, inertes e outro entulho transportado pela ribeira desde as serras de Santo António, no dia 20 de Fevereiro.
Um pouco contra as expectativas iniciais, as draga envolvidas na operação ainda nem saíram da foz da ribeira, isto quatro meses depois do temporal. O que significa que o trabalho em outras zonas do Porto do Funchal, bem como do litoral da Madeira, vão prolongar-se nos próximos meses.
Nestes trabalhos está envolvida a a draga ‘Varosa’ – 55 metros de comprimento e 11 metros de boca (largura) – que pertence ao armador Somague Engenharia, SA e pode receber cerca de 670 toneladas de inertes, bem como a ‘Gruamar’ (Etermar), draga com um comprimento de 39,4 metros e 11,5 de largura, podendo operar a uma profundidade máxima de 17,4 metros.
Mario Olim
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FOTO. Arquivo Machico.NET / Tolentino Pereira
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