Contra o celibato dos padres e a favor da ordenação das mulheres

O papel reservado às mulheres na Igreja Católica e o temor que, de uma maneira geral, as religiões reservam à participação das mulheres será o tema de duas conferências marcadas para hoje em Machico e organizadas pelo Centro Cívico, Cultural e Social da Ribeira Seca. Ana Vicente, ligada à condição feminina e membro do movimento internacional ‘Nós Somos Igreja’, é a conferencista convidada e vai estar de manhã na Ribeira Seca e às quatro e meia da tarde no Forum Machico. (Sabado 6/3)
O movimento de que faz parte e que existe há 15 anos – o ‘Nós Somos Igreja’ – propõe uma outra disciplina para a Igreja Católica, mais coerente e mais próxima do que ficou decidido no Concílio Vaticano II.
Este movimento internacional católico quer uma maior flexibilidade, uma estrutura menos hierarquizada, com maior proximidade entre os leigos e os clero. Ana Vicente, com quem o DIÁRIO falou, explica que o ‘Nós Somos Igreja’ opõe-se, por exemplo, ao celibato compulsivo dos padres seculares, tal como está contra a exclusão das mulheres do sacramento da ordenação, do afastamento das mulheres do sacerdócio. A conferencista lembra que estas duas questões são incoerências teológicas, mas lembra que, no caso das mulheres, o papel secundário que lhes é reservado não é um exclusivo da Igreja Católica. De facto, e este aspecto será abordado nas duas conferências, é comum a várias religiões. Ana Vicente diz mesmo que parece que existe um temor às mulheres, um medo em relação ao modo como 50% da população vive a fé e participa na religião. “Existe nas religiões um temor às mulheres”. Organizado pelo Centro Cívico, Cultural e Social da Ribeira Seca e incluído nas celebrações do Dia Internacional da Mulher, estas palestras colocam a questão feminina na Igreja Católica, lembram que, em termos sociais as mulheres conquistaram igualdade de género, mas, na Igreja, continuam arredadas do sacerdócio, remetidas a um papel secundário. A hierarquia da Igreja, neste momento, é um domínio masculino. Além das conferências, Ana Vicente, que estará na Madeira apenas dois dias, faz ponto de honra em deixar clara a sua solidariedade para com os madeirenses, que, de momento, atravessam um período complicado depois do temporal de 20 de Fevereiro de 2010.
Marta Caires
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