“Curandeira” leva dinheiro e ouro do Caniçal

Mais um caso de burla foi registado no Caniçal, recentemente, motivando diversos comentários naquela freguesia, em especial pelo modo caricato como tudo se passou, levando uma senhora a entregar cerca de 3.500 euros e vários objectos em ouro. A queixa foi elaborada na Esquadra da PSP de Machico, cujas investigações acabaram por referenciar as pessoas suspeitas envolvidas na “trapassa”. Com efeito, o dinheiro, esse “evaporou-se”. Mas vamos à «história». Uma senhora vestida com um avental, acompanhada de um jovem que se supõe ser seu filho, bateu à porta de uma casa onde vivia uma senhora com cerca 40 anos com um filho menor. A visitante com bons modos e facilidade de comunicação verbal, começou por tentar vender roupa com a “lenga-lenga” do costume.
Como a dona da casa não estava interessada, a «vendedora ambulante» mudou o rumo da conversa para o âmbito da cura, alegando poderes que dizia possuir. Para o efeito, segundo era comentado na localidade, utilizou algumas das técnicas habituais nestas ocasiões com o recurso à leitura das linhas das mãos, ao que se seguiu a premonição através do lançamento de cartas, género tarot, solicitando determinadas importâncias em dinheiro para «remédios» mais poderosos que iriam resultar em pleno. As consultas (sem direito à passagem de recibos) prolongaram-se por vários dias, resultando as despesas com o suposto tratamento num total de cerca de 3.500 euros em dinheiro.
Segundo dados disponíveis, a vítima entregou ainda objectos em ouro, entre os quais anéis, uma aliança, alguns colares e argolas em ouro. A soma do dinheiro e os valores do ouro apontam para cerca de cinco mil euros. A promessa de cura nunca se concretizou a não ser o desaparecimento da “curandeira”, quando esta eventualmente terá se apercebido que dali não podia tirar mais nada.
Contactado o gabinete de relações públicas do Comando Regional da PSP sobre este “episódio”, o comissário Roberto Fernandes confirma a ocorrência em causa na área do concelho de Machico em que já foram referenciadas pela Polícia local duas pessoas, uma senhora de meia idade e um jovem que se presume ser familiar. Roberto Fernandes confirma ainda a apreensão de alguns artigos que se presumem estar relacionados com esta actividade ilícita, mas no caso concreto do dinheiro que terão extorquido no contacto que fizeram com a lesada, não foi localizado, estando em curso diligências nesse sentido.
Relativamente a estas situações, atendendo a que essas pessoas escolhem com algum cuidado as suas vítimas, de porta a porta, a PSP recomenda a residentes que sejam contactados, que não permitam o acesso ao interior das residências e que não dêm a conhecer dados pessoais sobre as suas posses e possibilidades financeiras, especificando que as abordagens em regra estão relacionados com aspectos de superstição, ligados com crenças e outro tipo de presságios ou a uma confiança em coisas ineficazes.
Ferdinando Bettencourt

