Venda dos livros escolares decorre sem sobressaltos

A pouco mais de um mês do início do novo ano escolar, a venda dos livros já começou para muitos dos pais que, aproveitando o IRS e ou o subsídio de férias e querendo evitar as grandes fileiras junto aos balcões, começaram a desembolsar assim que tiveram a lista na mão.

São cada vez menos, as livrarias no Funchal que aceitam vender livros escolares mas as que resistiram aos transtornos que esta actividade provoca, dizem que as vendas deste ano são mais ou menos idênticas às verificadas na mesma altura do ano passado.
«Como os pais são mesmo obrigados a comprar, a crise não se sente-se, mas sabe-se que aqueles pais que conseguem os livros usados ou fornecidos pela escola, respiram de alívio porque, na verdade, os manuais estão muito caros», disse-nos uma funcionária de uma livraria do Funchal, que não quis identificar-se. Habituada aos lamentos dos encarregados de educação, esta jovem referiu, em declarações prestadas ao JORNAL da MADEIRA

Há livros que custam mais quatro euros

Bruno Pereira, funcionário da livraria ABC, na Rua do Bispo, também nos diz que «toda a gente reclama em relação ao preço dos livros. Os próprios proprietários das livrarias acham que os manuais são caros mas o que podemos fazer?», questiona. A título de exemplo, aquele funcionário afirma que há livros de 12º ano que, este ano, vão custar mais quatro euros do que o valor cobrado no ano passado.
«As editoras estão a cobrar mais, nós temos de cobrar mais», salienta.
Nesta livraria, as vendas dos manuais ainda não começaram a ser feitas. Este estabelecimento funciona apenas com “listas”. Até o dia 12 de Agosto, a livraria está a receber as listas, sendo que a primeira remessa de livros chega já esta semana. Os primeiros manuais a chegarem serão entregues aos primeiros pais a deixarem a sua lista dos manuais na livraria. Bruno Pereira justifica esta medida, referindo que as editoras não aceitam devoluções pelo que «só trabalhamos com pedidos para que não fiquem sobras».
Questionado sobre se as vendas on-line provocaram uma quebra no negócio das livrarias, este funcionário é de opinião de que «não». Isto porque «há quem experimente uma vez, mas geralmente não gostam da maneira como as coisas correm. Primeiro, porque têm de pagar portes, depois porque muitas vezes têm dificuldades em saber sobre como está o seu pedido.
«Acabam por voltar aos balcões das livrarias», considera Bruno Pereira.
Este ano, e ainda segundo este funcionário da livraria ABC, os pedidos estão a decorrer dentro da normalidade e não se prevêem atrasos como aconteceu no ano passado.Os livros que vão mudar, este ano, são essencialmente, alguns do 12º ano e os de Ciências e Físico-Química do 9º ano que surgiram com alguns erros. «Os adquiridos no ano passado já não servem para este ano, o que causa mais um contratempo para as livrarias que compraram manuais a mais», refere Bruno Pereira.

Editoras estão a trabalhar bem

Lúcia Freitas, proprietária da papelaria-livraria Julber, no Infante, também considera, em declarações prestadas ao JM, que por enquanto, os livros estão a ser vendidos bem e não há atrasos. Lúcia Freitas não sabe precisar quantos pedidos foram entregues na sua loja mas refere que há a clientela habitual, mais ou menos a mesma que de anos anteriores. Para Lúcia Freitas, há pais que gostam de comprar os manuais escolares logo nos primeiros dias de férias mas também há os que, na última semana de férias de Verão dos estudantes, estão nas livrarias a exigir celeridade no seu pedido. Esta empresária trabalha não só com listas mas também vende ao balcão porque pede sempre mais alguns manuais que aqueles solicitados.
António José, proprietário da papelaria do Colégio tece elogios à forma como as editoras estão a trabalhar este ano. «Graças a Deus, este ano não está a haver problemas. Já temos todos os livros do 1º ao 4º ano (ou seja, 1º ciclo)». Quanto aos restantes ciclos- aquela papelaria só trabalha com livros até ao terceiro ciclo- «deverão chegar esta semana».
António José não sabe precisar o número de pedidos feitos no seu estabelecimento mas garante que aumentaram em relação ao ano passado. No entender deste responsável, nem a crise nem a venda on-line tiraram clientes. «Os pais não podem deixar de comprar os livros e a venda on-line também dá alguns contratempos», considera.
Refira.se que há escolas a fazerem os pedidos dos livros para os seus alunos. Uma ideia aplaudida pelas livrarias.

As livrarias do Funchal contactadas pelo JORNAL da MADEIRA não se queixam nem das editoras nem da falta de clientes. Dizem que a venda dos manuais escolares já começou a bom ritmo mas há sempre aqueles pais que gostam de deixar a aquisição dos livros bem para o fim das férias de Verão dos seus educandos

Leya a cumprir prazos
Pedro Barbosa, responsável na Madeira pela editora Leya, assegurou ao JM que a preparação para o próximo ano lectivo está a ser feita há muito tempo. Neste momento, está em condições de garantir que não há ruptura de stock, seja qual for o ano lectivo. Adianta ainda que o caudal de facturação está a ser feito em 3 dias, sendo que a média de entrega ao cliente, após a encomenda, é de seis a sete dias. Estão a vir para a Madeira, dois barcos por semana com as respectivas encomendas dos manuais escolares.
Pedro Barbosa acrescenta também que foi feito um grande investimento ao nível logístico para evitar os contratempos verificados noutros anos. «Se fizer uma ronda pelas livrarias, vai ver que, pelo menos da nossa parte, estamos a cumprir sem qualquer problema», sugeriu Pedro Barbosa, representante de uma das editoras portuguesas.

Rui Aragão,de livraria virtual, assegura
São cada vez mais os que pedem on-line

Ao longo dos anos, verifica-se que, cada vez mais, os portugueses gostam de ir de férias com o problema dos livros resolvido. A opinião é de Rui Aragão, da Divisão de e-commerce da WOOK, uma livraria virtual portuguesa.
Rui Aragão adianta ainda que, de ano para ano, «temos verificado que a antecedência com que a compra é feita é cada vez maior», acrescentando que «estamos a registar crescimentos, no número de pedidos, em relação ao ano passado».
Questionado quanto a vantagens da compra on-line e efectuada nesta “empresa”, Rui Aragão refere que «todos os nosso clientes têm descontos especiais que podem chegar até aos 10 por cento em manuais e 20 por cento em auxiliares de ensino».
«Estamos ainda a dar benefícios nos portes de envio para as regiões autónomas. Neste caso oferecemos uma redução de 50 por cento no custo normal dos envios via correio normal», disse-nos aquele representante da WOOK.
Contudo, esta promoção terminou ontem dia 10 de Agosto.

Manuais são cada vez mais caros
Pais queixam-se do rombo no orçamento

Para os encarregados de educação, estes meses que antecedem o início das aulas são “dolorosos” no que toca ao orçamento familiar. Os livros, a roupa e o restante material levam alguns euros dos bolsos.

Lúcia Linhares, docente e também encarregada de educação, conhece bem os problemas causados quando se deixa a compra dos manuais para a última da hora pelo que costuma comprá-los bem cedo a fim de evitar dores de cabeça.
Na última semana, o JM foi encontrar esta professora, mãe de uma menina que vai para o 2º ano do 1º ciclo, a adquirir os livros para o próximo ano lectivo. À volta de 50 euros foi quanto gastou nos livros, sendo que esperava gastar mais uns 15 a 20 euros em material.
Isto para não falar em mochilas, fatos de treino, sapatilhas e outros acessórios necessários para a escola e que causam um rombo no orçamento familiar.
Mas esta professora e encarregada de educação sabe que o pior está para vir. A partir do segundo ciclo, os valores a gastar em manuais escolares «são muito mais elevados. Nada que se pareça com o que acontece no 1º ciclo», afirmou ao JORNAL da MADEIRA.
Carla Ferreira, encarregada de educação de uma menina que vai para o 5º ano, também odeia «filas e confusões». Em duas livrarias do Largo do Colégio, conseguiu adquirir todos os manuais para a filha,assim como o material para educação visual. «Faltam agora as sapatilhas e alguma roupa», desabafou em declarações ao nosso jornal.
Carla Ferreira gastou um pouco mais que Lúcia Linhares na educação da filha. Para os livros, «foram cerca de 150 euros». Para o material «perto de 50 euros».
O subsídio de férias já estava gasto, assim como o IRS. Valeu «o apoio do companheiro que deu uma verba para os manuais».
Ana Maria tem dois filhos: um no segundo ciclo e outro no secundário. Para o primeiro, gastou à volta de 200 euros. Para o segundo, passou dos 250 euros.
«Lá foram 450 euros a brincar. E ainda faltam as sapatilhas, algumas t-shirts e calças de fato de treino. É preciso também carregar o telemóvel dos miúdos. Isto para não falar no passe e nas senhas para as refeições. Tudo isso só em Setembro pelo que o ordenado desse mês leva mais um corte de assustar», desabafou-nos Ana Maria, a qual referiu que houve tempos que conseguia livros de filhos de amigos. Hoje em dia, «acho que estão sempre a mudar», adiantou ainda aquela encarregada de educação.

Carla Ribeiro

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