Os alunos do Porto da Cruz nunca tiveram autorização para utilizar o polidesportivo
Os alunos da Escola Básica e do 1.º Ciclo com Pré-escolar do Porto da Cruz nunca tiveram autorização para utilizar o polidesportivo construído há três anos pela Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento (SMD), ‘paredes meias’ com o edifício do estabelecimento de ensino. O campo nunca foi utilizado pelos alunos nem por outra entidade, devido a um diferendo entre o Governo Regional e a SMD. Só agora, a Sociedade, dona do recinto, admite realizar um protocolo com a Secretaria de Educação de modo a permitir a utilização do polidesportivo pelos alunos.
O DIÁRIO registou, junto de alguns pais de alunos, palavras de indignação e incompreensão pelo arrastar desta situação. Criticam o impedimento na utilização do recinto polidesportivo que, sem utilização, vai servindo de depósito de lixo diversificado.
Por um lado, a escola não disponibiliza aos alunos um espaço próprio para as aulas de Educação Física, obrigando os alunos a recorrer ao novo pavilhão gimnodesportivo construído 50 metros a norte da escola. Por outro, no recreio e nos intervalos das aulas, os miúdos brincam e jogam à bola nos espaços exíguos e nas áreas comuns do edifício, sem condições para tal. O impasse arrasta-se há três anos, embora a construção do polidesportivo tivesse sido feita a pensar nos alunos desta escola. É isso que evidencia a porta do pátio que dá directamente para o interior do campo. Frustrados com esta situação, alguns alunos chegaram a danificar a porta para aceder ao campo mas, em poucos dias, esta foi fechada pelos funcionários da Metropolitana.
Escola diz que o campo “faz falta”
Quem também não compreende a interdição na utilização deste campo é o director do conselho directivo da Escola do Porto da Cruz, Manuel Luís Macedo. “Nós sabemos que o campo foi construído pela Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento, mas nunca o utilizámos. É um espaço que nos faz muita falta, mas não temos nem autorização nem as chaves necessárias para o utilizar”, regista. “É pena porque este campo faz-nos tanta falta como o pão para a boca”, lamenta. O director da escola explica que já encetou contactos junto da Secretaria Regional de Educação e Cultura (SREC), mas revelou não saber como está a evoluir o assunto entre as duas partes. SMD: protocolo deverá resolver
Contactado pelo DIÁRIO, o presidente da SMD, Pedro Ferreira, prometeu que o assunto deverá ser resolvido em breve. “O protocolo de utilização daquele espaço, entre a SREC e a Metropolitana está em fase final de elaboração, esperando-se para breve a sua finalização”.
Na base deste impasse está um diferendo antigo entre a SMD e o Governo Regional. Sem querer alongar-se em explicações, Paulo Ferreira revelou que, inicialmente, estava previsto a Secretaria Regional do Equipamento Social (SRES) construir o pavilhão polidesportivo junto à escola. Contudo, e por ordens “superiores”, acabou por ser a SMD a avançar com essa empreitada. A SRES acabou por executar a obra de construção de um pavilhão gimnodesportivo, localizado 50 metros a norte do estabelecimento de ensino. É, pelo menos isso que se depreende das palavras do responsável pela Sociedade: “O que estava previsto era a SRES fazer o pavilhão naquela área (junto à escola, onde está o campo polidesportivo) e foi superiormente entendido a SMD ali fazer o polidesportivo e deslocar o pavilhão, que foi construído pela SRES. Aliás, ambas as entidades concretizaram esses objectivos”.
Explica que grande parte da intervenção da SMD na frente mar do Porto da Cruz foi inaugurada a 22 de Junho de 2004, mas a pavimentação dos estacionamentos e a construção do polidesportivo foram concluídos mais tarde, há três anos. Por isso, este polidesportivo nunca chegou a ser inaugurado. Tentámos ainda apurar o montante do investimento nesta obra, mas Pedro Ferreira não soube revelou.
Desde a passada sexta-feira que o DIÁRIO contactou diariamente a SREC para obter uma reacção sobre este assunto, mas até ao final da tarde de ontem, não nos foi dada qualquer resposta.
Marco Freitas
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