Machico quer cinco estradas agrícolas… só falta o ‘sim’ da UE

A Câmara Municipal de Machico vai candidatar, ainda este ano, cinco estradas agrícolas ao actual quadro comunitário de apoios. Se os projectos merecerem a concordância das entidades europeias, três destes caminhos agrícolas serão construídos na freguesia de Machico – o caminho agrícola do Tintureiro, o caminho de ligação da Ribeira Grande/Brasil à estrada Florestal da Fajã dos Rolos e o Caminho da Nóia à Levada do Caniçal, na Ribeira Seca. O quarto caminho ficará na freguesia de Água de Pena, no sítio do Lombinho. E, por fim, o quinto será construído na freguesia do Porto da Cruz, na Terra Baptista.

Destes, os mais esperados pela população são os caminhos do Tintureiro, o maior dos cinco com 1610m, e o da Ribeira Grande com cerca de 1100 metros. Em ambos os casos, há mais de 15 anos que os agricultores esperam por esta alternativa. Isso mesmo confirma o vereador das Obras, António Olim. “São dois projectos que começaram com candidaturas de grupos de agricultores mas os caminhos nunca andaram e, por isso, foram transitando de quadro em quadro comunitário. Agora, chamamos a nós estas obras e vamos candidatá-las”.

Numa altura em que a Câmara Municipal de Machico finaliza estes cinco projectos, António Olim assume ter feito uma estimativa do custo global de cada caminho para um valor aproximado a 850 mil euros por quilómetro. No total, os cinco caminho irão implicar um custo de 4 milhões e 250 mil euros. À autarquia machiquense competirá investir cerca de 15% do valor total, ou seja, 637 mil e 500 euros. “Alerto no entanto para o facto deste valor ser apenas uma estimativa. Há caminhos que terão de levar muros mais altos e outros que não levam muros, por isso é difícil apurar com precisão o valor exacto de cada estrada”.

Para serem aprovados, estes caminhos agrícolas têm de passar por um conjunto apertado de requisitos. “Cada estrada tem de se inserir em zonas agrícolas. Os caminhos não poderão ter mais de quatro metros de largura de faixa de rodagem, mais meio metro para a valeta e deverá ter ainda a colocação de condutas de rega”, afirma António Olim. As restantes infra-estruturas não são elegíveis e se forem colocadas terão de sair dos cofres da Câmara, como a água potável e a iluminação pública.

Agricultores agradados criticam passividade

Os caminhos agrícolas do Brasil e do Tintureiro foram, há vários meses, notícia neste matutino pelo adiamento da sua construção. O DIÁRIO contactou uma das pessoas que mais fez pela sua construção, Severino Olim, que ficou radiante com a notícia. “Considero que esta decisão, apesar de tardia e das dificuldades financeiras que os municípios atravessam, vem corresponder aos anseios daqueles que, cada vez mais, procuram na terra o rendimento que a falta de emprego não lhes proporciona”.

Este agricultor não deixa de criticar a passividade das entidades envolvidas no processo. “Como agricultor e com os dissabores que esta iniciativa popular me trouxe, espero muito sinceramente que seja desta vez que o caminho agrícola do Tintureiro encontre as vontades políticas e o financiamento adequado para a sua realização”.

Marco Freitas

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