Escola nega ‘cunhas’ e diz que o turno da manhã não chega para todos os alunos
Morar na vizinhança não é garantia para arranjar vaga na escola mais próxima. Embora a Secretaria de Educação tenha regras e dê prioridade aos residentes, os pais descobrem na altura de matricular os filhos que a realidade é outra. Fala-se de ‘cunhas’ para escolher o turno da manhã e de encarregados de educação que dão a morada do emprego ou a dos avós, sobretudo nas escolas do centro do Funchal. Ana, que vive a poucos minutos da Escola Bartolomeu Perestrelo, descobriu isso há três anos quando o filho passou para o 5º ano. A delegação escolar cumpriu as directrizes da Secretaria e colocou ali os alunos da escola da Pena, mas, ao contrário da maioria dos colegas, o filho de Ana ficou no turno da tarde. A direcção da escola explicou que não havia vagas para todos de manhã e o argumento de que o filho estava desenraizado da turma não comoveu os responsáveis.
Insatisfeita e preocupada com o rendimento escolar do filho (as turmas da tarde têm má fama) pediu transferência para a Escola da Levada. O filho passou de anos e, agora, em mudança de ciclo, voltou a tentar a sorte na Bartolomeu Perestrelo. Vagas só à tarde, de manhã está cheio e, além disso, é dada prioridade aos que já são alunos da escola.
A história volta ao princípio, morar a poucos metros da escola não é garantia de ter vaga. E Ana fica ainda mais indignada quando conhece casos de alunos que, não sendo da freguesia, frequentam a Bartolomeu Perestrelo e estão numa turma da manhã. Alguns até se registam com a morada dos avós ou do emprego dos pais, mas de facto vivem em Santa Cruz, em Machico e no Caniço.
Gualberto Soares, presidente da direcção executiva da Bartolomeu, assegura que não há ‘cunhas’ na constituição das turmas e que regras que são respeitadas. Até porque a distribuição dos alunos nas escolas de 2º e 3º ciclos no 5º ano é feita pelas delegações escolares. De resto, a escola procura não desenraizar os alunos, mantê-los com colegas de turma. E, dentro dos ciclos, mantém-se até os mesmos professores.
“É claro que existe esse mito de que as turmas da manhã são melhores que as da tarde, mas isso não é verdade”. Os resultados das provas de aferição de 6º ano mostram que houve mais ‘A’ no turno da tarde. “E isto é um facto, não é um mito ou uma ideia feita”. A preferência aos alunos da área de residência é correcta, mas no caso do 7º ano a direcção da escola optou por privilegiar os alunos que já estão na escola de modo a não perturbar as turmas. “Ainda temos vagas nas turmas da tarde”.
O bom, explica, seria um turno único, a começar de manhã. Só que tal não será possível tão cedo, sobretudo agora aumento da escolaridade obrigatória para 12 anos. “Uma decisão dessas, de ter todas as turmas a entrar de manhã exigia muito mais escolas, mais professores e mais funcionários. Temos dois turnos e é nossa obrigação fazer com que funcionem”.
A Secretaria Regional de Educação enviou uma circular às escolas na qual explica como se fará a distribuição dos alunos pelas escolas do 2º e 3º ciclos e pelas escolas secundárias. No caso da Escola Bartolomeu Perestrelo, são admitidos os alunos que venham de escolas particulares, das escolas das freguesias do Imaculado Coração de Maria, Tanque e Monte. Os da escola da Pena, para o próximo ano lectivo, deverão ser todos transferidos para a Escola Ângelo Augusto da Silva ‘Levada’.
A circular de 2009 para a transferência para o 10º ano, no Funchal, volta a colocar distribuição por área de residência. Os residentes no Monte, Santa Luzia e Imaculado vão para a ‘Levada’; Santo António, São Martinho e São Roque dividem-se entre a Gonçalves Zarco e o Galeão. São Pedro, Sé, São Gonçalo e Santa Maria Maior e Curral das Freiras podem inscrever-se na Jaime Moniz e na Francisco Franco.
Marta Caires
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