Desratização de praga não existente cria conflitos
Entornou o caldo entre a Câmara Municipal de Machico e a Direcção Regional de Agricultura depois desta última ter aconselhado as Câmaras da Região a uma maior actuação nos seus concelhos, de forma a que as campanhas de desratização alcançasse os objectivos pretendidos – isto após ter sido identificado na Cidade um aumento exponencial da população de ratos.
Ora, confrontado com essa questão, que também tinha sido colocada pelos vereadores do PS na última reunião desta autarquia, Emanuel Gomes reagiu com dureza às palavras de Bernardo Araújo. “Fiquei surpreendido com o director regional de Agricultura quando recomendou que as Câmaras tivessem mais cuidado. O dr. Bernardo Araújo certamente desconhece o trabalho que as Câmaras fazem nessa área. Penso que foi imprudente da parte do senhor director regional fazer aquelas acusações, porque as Câmaras têm feito um trabalho contínuo e muito aplicado em que notificamos os donos dos terrenos”.
Gomes explica as suas palavras. “O senhor director desconhece que é difícil chegar ao fim dessas situações porque os terrenos abandonados são de proprietários que não residem cá, alguns sem proprietário titularizado e isso gera dificuldades de notificação. Mesmo assim, a Câmara faz um trabalho meritório. Em casos extremos e com os seus meios próprios, a Câmara têm-se substituído aos proprietários”.
Contudo, a resposta do autarca não se ficou por aqui. Questionado acerca do facto de Bernardo Araújo ter recomendado que as Câmaras limpassem os terrenos abandonados e remetessem a factura dessa empreitada aos donos dos terrenos, Emanuel Gomes reagiu assim. “Eu recomendo é que o director regional faça bem o seu trabalho e deixe para as Câmaras o trabalho que é destas. Essa é a recomendação que tenho a fazer, ele que faça o seu trabalho, que nós vamos fazer o nosso”.
Estas reacções ‘quentes’ de Emanuel Gomes estão relacionadas com o facto dos vereadores do PS, encabeçados por Ricardo Franco, terem apresentado uma proposta de recomendação para que o “executivo municipal assuma uma atitude mais actuante e eficaz , no sentido de serem tomadas as medidas necessárias, conducentes ao controlo e diminuição da praga de ratos, que ocorre neste município”.
Os socialistas dizem ainda que deveria ser feito um “reforço de meios e acções próprias, com disponibilização de raticida aos agricultores e proprietários de prédios rústicos, em maiores quantidades e a preços reduzidos (…) permitindo um combate mais eficaz a este problema, que tem prejudicado os munícipes e o concelho”.
Esta proposta foi, como é habitual, rejeitada pela maioria PSD porque, na opinião de Emanuel Gomes, esta praga só existe para o DIÁRIO e o PS. “Não há praga de ratos. Só há praga de ratos para o DIÁRIO e para o PS, que são iguais. Não vi praga de ratos em lado nenhum, o único sítio onde vi foi no DIÁRIO. Nunca ninguém veio a esta Câmara colocar esta questão. A praga não existe e a Câmara não a reconhece como tal”, respondeu o autarca. Apesar de ser negada pelo presidente da autarquia machiquense, o presidente da Junta de Freguesia de Machico admitiu, na edição de 26 de Novembro de 2009, que esta praga era real.
Gomes termina a dizer que a Câmara de Machico vai fazer o trabalho habitual nestas situações. “Não nos parece importante fazer neste momento mais do que já tem sido feito. Esse é um trabalho constante, não fizemos nem uma vírgula a mais ou a menos por causa da notícia do DIÁRIO. Se não identificamos nenhum problema adicional também não teremos nenhuma medida adicional”.
O DIÁRIO colocou duas questões a Bernardo Araújo relacionadas com a resposta de Emanuel Gomes, mas o governante respondeu apenas o seguinte. “Não tenho comentários a fazer, a não ser garantir o máximo de respeito por todos os eleitos e em particular pelo sr. Presidente da Câmara Municipal de Machico”.
Marco Freitas
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Tags: Camara Municipal de Machico, Desratização, Direcção Regional de Agricultura, praga
