A estrada da maiata foi encerrada por causa do perigo eminente
A população dos sítios da Maiata, do Larano e do Lombinho, no Porto da Cruz, todos os dias arrisca a própria vida ao ignorar o encerramento do Caminho da Maiata de Baixo, que apresenta uma encosta rochosa que há muito ameaça desabar. Perante o descuido da população, que continua a circular como se nada passasse, o perigo espreita e adivinham-se desgraças.
Apesar da estrada se encontrar encerrada por decisão da Câmara Municipal de Machico, desde Janeiro de 2008, a população circula ali como se nenhum problema existisse, ignorando mesmo a colocação de dois grandes blocos de cimento a encerrar, ou pelo menos tentar encerrar, a circulação automóvel nesta estrada que nas ‘horas de ponta’ é bastante significativa. A reportagem do DIÁRIO no local constatou que ali chegam a passar vários carros praticamente em fila.
Segundo foi possível perceber, foi a própria população que tratou de ajeitar os blocos de cimento de forma a permitir que haja espaço para circular um carro. Contudo, ao fazê-lo, a população parece já ter esquecido o ocorrido há dois anos, quando uma pedra caiu no local e destruiu um carro com o ocupante a salvar-se por ‘milagre’.
A estrada foi encerrada após a autarquia machiquense ter percebido que estavam vidas em risco, mediante as grandes fissuras que este talude apresenta e a queda regular de rochas com várias toneladas no local.
Contudo, a população ignora o encerramento da estrada porque, sem esta, é muito maior a deslocação para os sítios da Maiata, do Larano e do Lombinho. Por exemplo, quem quer deslocar-se do centro do Porto da Cruz para estas localidades é obrigado a fazer uma volta de aproximadamente seis quilómetros, vendo-se obrigada a entrar na Via Expresso e a sair junto à bomba da gasolina da GALP. Ainda que encerrado, este troço reduzia essa ligação de seis quilómetros.
Certo é que a três semanas nas eleições autárquicas de 11 de Outubro último, a autarquia machiquense enviou para o local vários rocheiros que tentaram retirar da escarpa as pedras que se encontravam em maior perigo de queda. No entanto, pouco tempo depois, esses trabalhos foram suspensos.
Para o PS do Porto da Cruz, a Câmara nunca teve intenção de limpar a encosta, tendo apenas promovido uma medida eleitoralista. “Não mexeram naquela encosta durante dois anos e só se lembraram de o fazer antes das eleições”, afirma Moisés Abreu, que considera a coincidência demasiado óbvia.
À espera do Equipamento Social
Sem dinheiro para realizar uma obra desta envergadura, tal como aconteceu no Caminho Padre Caetano Soares, no mesmo monte rochoso, a Câmara Municipal de Machico mais não pode fazer do que esperar pela intervenção do Equipamento Social, apesar de admitir que ali existe uma situação preocupante.
Emanuel Gomes afirma isso mesmo. “O Equipamento Social tem prevista a construção da promenade da Maiata, junto ao mar, que está no programa de Governo, mas esta foi recalendarizada pelo Governo. Quando a obra estiver prestes a avançar, a ideia é limpar a encosta primeiro e só depois construir a promenade”.
Quanto à presença dos rocheiros no local, o autarca nega ter existido uma decisão eleitoralista, e explica-a com a existência de disponibilidade financeira para o tal. “Houve disponibilidade de contratamos uns rocheiros para tentar deitar abaixo as rochas mais perigosas que estão a ameaçar cair. Com isso queríamos ver se podíamos abrir as estradas”. A intervenção de pouco resultou. “Depois de uma primeira intervenção, os rocheiros informaram-nos de que esta pouco efeito traria, pois não solucionaria o problema”.
Sobre o facto de as pessoas continuarem a circular pela estrada da Maiata de Baixo, Emanuel Gomes ‘empurra’ as responsabilidades para cima da população. “Preferimos fechar a circulação automóvel naquele local, ainda que haja pessoas que se queixam de fazer um trajecto maior. A estrada está encerrada, as pessoas passam à sua responsabilidade. Essa é uma questão que depende de cada pessoa”.
Marco Freitas
![]()
Tags: encerrada, estrada, machico, maiata, porto da cruz
